1970: A Obra-Prima do Futebol e o Casamento Perfeito entre a Arte e a Taça.
1970: O Tri Definitivo e o Futebol Feito Arte
Se em 1958 o Brasil surpreendeu e em 1962 superou, a Copa do Mundo de 1970, no México, foi a consagração absoluta. Sob o sol escaldante do território mexicano e na primeira Copa transmitida ao vivo e em cores para o planeta, a Seleção Brasileira não apenas venceu; ela redefiniu o esporte. A equipe comandada por Zagallo transformou o futebol em uma coreografia perfeita, atingindo o ápice do que hoje chamamos de “Futebol Arte”.
A Concentração de Camisas 10
O grande segredo tático de 1970 foi uma ousadia que desafiava a lógica da época. Zagallo conseguiu colocar em campo, ao mesmo tempo, cinco jogadores que eram os camisas 10 e cérebros em seus respectivos clubes: Pelé (Santos), Tostão (Cruzeiro), Gerson (São Paulo), Jairzinho (Botafogo) e Rivelino (Corinthians).
Para fazer essa constelação funcionar sem desequilibrar o time, cada um mudou ligeiramente de função:
- Jairzinho: Deslocado para a ponta direita, usou sua força física absurda para se tornar o “Furacão da Copa”.
- Rivelino: Aberto pela esquerda, calibrou a “Patada Atômica” e distribuiu passes milimétricos.
- Tostão: Atuou como um falso 9 inteligente, abrindo espaços para as infiltrações.
- Gerson: Recuou para o meio-campo, transformando-se no “Canhotinha de Ouro”, o mestre do ritmo e dos lançamentos longos.
A Campanha Perfeita: Seis Jogos, Seis Vitórias
O Brasil sobrou no México. Passou pelo “Grupo da Morte” na primeira fase e destruiu os adversários no mata-mata com exibições de gala.
Quartas de Final: Brasil 4 x 2 Peru
14 de junho de 1970
Um duelo sul-americano inesquecível contra o time de Cubillas e treinado pelo ídolo brasileiro Didi. Tostão brilhou intensamente marcando dois gols.
Semifinal: Brasil 3 x 1 Uruguai
17 de junho de 1970
O fantasma de 1950 foi exorcizado. O Uruguai saiu na frente, mas o Brasil manteve o sangue frio. Clodoaldo empatou, Jairzinho virou e Rivelino fechou a conta. Jogo marcado pelo histórico drible de corpo de Pelé no goleiro Mazurkiewicz.
A Grande Final: Brasil 4 x 1 Itália
21 de junho de 1970
O confronto dos dois únicos bicampeões valendo a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Pelé abriu o placar de cabeça. No segundo tempo, Gerson soltou a bomba, Jairzinho completou seu recorde e Carlos Alberto Torres fechou a goleada com o gol mais bonito da história das Copas.
Curiosidades Estatísticas de 1970
O domínio numérico daquela equipe reflete o volume de jogo sufocante que impunham aos adversários.
| Categoria | Dado |
| Campanha | 100% de aproveitamento (6 jogos, 6 vitórias) |
| Gols Marcados | 19 gols (Média impressionante de 3,16 por partida) |
| O Recorde do Furacão | Jairzinho marcou em todos os 6 jogos da Copa, feito jamais repetido |
| O Rei em números | Pelé se despediu das Copas com 4 gols e 6 assistências no torneio |
“O quarto gol contra a Itália na final é a síntese do futebol de 1970: a jogada começa na defesa com Clodoaldo driblando quatro italianos, passa pela cadência de Gerson, o lançamento para Jairzinho, o passe genial de Pelé sem olhar e a finalização potente do capitão Carlos Alberto. Foi o ápice da perfeição coletiva.”
Ao erguer a Jules Rimet no Estádio Azteca, o Brasil se tornava o primeiro tricampeão do mundo. Aquela seleção de 1970 virou o padrão ouro do futebol mundial. Eles mostraram ao planeta que era possível vencer jogando com alegria, plasticidade e extrema inteligência.